Do Rio de Janeiro ao Tocantins: a região através de seu clima, pessoas e sabores
por Carolina Freitas
Foram mais de 14 horas até chegar em Araguaína. Dois voos, uma viagem de mais de sete horas de duração e muita curiosidade a cada trecho do trajeto rumo à Semana de Internacionalização, Interiorização e Extensão entre Brasil e Bolívia (PPGDire). Deixamos o Rio de Janeiro numa manhã de chuva moderada e tempo frio. Clima bem distante daquele que encontramos no Tocantins: termômetros próximos dos 40 graus e um povo igualmente caloroso.
Nossa jornada teve início às quatro da manhã do dia 23 de setembro quando embarcamos em um voo no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, com destino a Palmas e conexão em Brasília. Setembro trouxe com ele dias extremamente chuvosos e de introspecção na região sudeste. E talvez esse histórico recente tenha contribuído para valorizarmos ainda mais o cenário contrário que encontramos no norte do país.

Sabendo que são mais de 350 km de distância entre Palmas e Araguaína, concluído o percurso aéreo ainda tivemos uma longa estrada para atravessar de ônibus. E foi a partir dela que conhecemos o clima seco da região e sua topografia plana que difere bastante da região serrana de onde venho. Mas a verdadeira aula sobre as nuances do território veio no dia seguinte em uma viagem até Tocantinópolis, na área do Bico de Papagaio, cujo nome se dá em função de seu formato no mapa e que lembra justamente o bico da ave.

Nessa jornada vimos de perto o bioma transitar entre o do cerrado e o da Amazônia e avistamos também inúmeras palmeiras de babaçu às margens da estrada. Amplamente conhecia na região, é dessa árvore que é extraído um azeite usado com frequência na cozinha e que também me foi indicado para fins cosméticos e de hidratação tanto da pele, quanto do cabelo. Na mesma paisagem me chamaram a atenção ainda os grandes reservatórios de armazenamento de soja – reflexo de parte da atividade econômica daqui.

E para quem tinha curiosidade em conhecer o Tocantins através de seus sabores, em menos de dois dias tivemos a alegria de experimentar sucos de cajá, cupuaçu e tamarindo. Frutas típicas locais que dão o tom na maioria das refeições. De almoço em Tocantinópolis ainda conheci o feijão “trepa-pau”, o peixe tambaqui – um dos mais presentes na culinária da Amazônia, a carne de Sol com banana da terra e também a farofa amarela regional, que é muito apreciada e que apresenta uma coloração mais amarelada do que as demais devido ao seu modo de preparo.

Seja às margens de um rio, em um comércio de rua, numa sala de aula universitária, ou na recepção de um hotel, o que se percebe é que no Tocantins a comunidade é afetuosa e carrega consigo o orgulho de uma história pautada pela natureza. O calor no território é grande, mas também é caloroso seu povo e seu interesse em difundir sua cultura, memórias e tradições.
Sobre a autora:
Carolina Freitas é jornalista, pesquisadora, empreendedora criativa e mestranda em Arquitetura e Patrimônio pela UERJ. Fundadora do projeto Petrópolis Sob Lentes (@petropolisoblentes), lidera projetos para empresas, instituições e iniciativas culturais, demonstrando como histórias bem contadas podem gerar valor, fortalecer marcas, preservar identidades e aproximar pessoas.
